Vinícius tem 2 anos e 4 meses, sempre foi uma criança muito feliz e muito inteligente. Tirando algumas complicações que teve após uma pneumonia diagnosticada erroneamente (ou melhor, não diagnosticada), sempre foi muito saudável. Leva uma vida normal como qualquer criança da idade dele.
Falando rapidamente sobre as complicações que citei acima, no finzinho de Março as coisas ficaram mais difíceis. Ele tem adenóide (carne esponjosa) muito grande (90% de obstrução das vias áereas), só respira pela boca e pegou uma pneumonia que foi diagnosticada como faringite. Começou a ser tratado errado e ficou ruim por pouco mais de dois meses. Muitas idas ao hospital de madrugada e oito pediatras depois, ele parou de responder aos medicamentos. Tive que comprar algumas injeções muito caras (pouco mais de R$ 100 cada - não consegui no governo e nem hospital particular fornecia) e ele começou a melhorar quando teve uma recaída forte com uma conjutivite de brinde. Sem poder ir para escola e sem ter com quem deixá-lo, acabei saindo do trabalho. Com tempo para acompanhá-lo de verdade na pediatra (minha mãe levava sempre), comecei a buscar um que sentisse segurança para cuidar do meu filho. Encontrei a Dra. Valéria, em Santo André, cidade vizinha aqui. Excelente médica, muito atenciosa, o Vini adorou.
Descobrimos que ele tinha rinite, sinusite e uma bronquite herdada da pneumonia. Na última quinta-feira, 29/07 em consulta com a pediatra para mostrar resultados de alguns exames, comentei de "choques" que ele tinha desde muito neném. Quando no colo, sempre antes de dormir, ele dava una "pulinhos", 3 ou 4, e adormecia. Nunca pensei que poderia ser alguma coisa, achava que era alguma maniazinha de dormir. Com o tempo passando, os "pulinhos" foram aumentando e não aconteciam mais só na hora de dormir, poucas vezes durante o dia, brincando. Percebi que ele ficava parado, completamente absorto e não respondia a nenhum estímulo de reflexo. Durava alguns segundos, depois ele "voltava" como se nada tivesse acontecido. De novo, achei que não era nada, que ele podia ser "desligadinho" ou fazer isso pra provocar, de fingir que não está ouvindo quando chamo.
Um dia de Junho, quando já estava com ele em tempo integral, ele estava sentado no meu colo e estávamos brincando, ele ria muito e fazia muita graça. Ele parou absolutamente do nada, fixou o olhar no meu, o sorriso sumiu e começou a fazer movimentos involuntários com os braços. Esse foi um dos ataques que mais me marcou, fiquei muito assustada, porque chamava e ele não respondia, só me olhava. Pra mim durou mais do que os tradicionais 20 segundos, mas acho que foi impressão, pois minha mãe estava junto e disse que foi muito rápido. Quando terminou, ele abriu o sorriso de novo e voltou a brincar de onde tínhamos parado. Depois desse dia comecei a prestar mais atenção e com as férias escolares, ficávamos juntos o dia todo e pude perceber que esses ataques estavam cada dia mais frequentes, acontecendo mais de 4 vezes em um dia.
Após alguns testes com a pediatra, ela encaminhou para um neuro pediatra com uma carta detalhada dos sintomas que eu havia comentado e do "possível" diagnóstico - Epilepsia do tipo Pequeno Mal, passado para mim com 99% de certeza e seguido das palavras "é grave, mãe". Fiquei em choque, pois as palavras "epilepsia", "ataque epilético", "convulsões" assustam de verdade, embora haja informação, tem muita gente que fala muita coisa e logo comecei a imaginá-lo crescendo com isso, tendo ataques epiléticos nas aulas, coleguinhas zombando (quando eu estava no colégio, me lembro vagamente de alguém que precisou ser transferido depois de ter um ataque epilético na aula e virou piada na escola), não conseguindo ter uma vida normal, não sei, mas passou MUITA coisa na minha cabeça na hora e até um pouco depois, até começar a me informar.
Chegamos em casa ele estava dormindo, corri pra internet e buscar informações sobre a epilepsia. Só encontrei alguns artigos, alguns não, muitos. Mas nenhuma página que fosse destinada SÓ ao Pequeno Mal. Não que mereça ou desmereça atenção especial, mas baseado experiência que eu tive, só fiquei (um pouco) mais calma quando me informei melhor e imagino o desespero de pais que não têm acesso a essas informações e nem sempre têm acesso à médicos bons ou que deem informações precisas. Então, tive a ideia do blog para tentar reunir mais alguns pais e ajudá-los.
Não posso deixar de agradecer o apoio dos amigos que foi (é) fundamental para que eu não só desabe a chorar, encare e ajude meu filho a encarar tudo que vier pela frente!
Falando rapidamente sobre as complicações que citei acima, no finzinho de Março as coisas ficaram mais difíceis. Ele tem adenóide (carne esponjosa) muito grande (90% de obstrução das vias áereas), só respira pela boca e pegou uma pneumonia que foi diagnosticada como faringite. Começou a ser tratado errado e ficou ruim por pouco mais de dois meses. Muitas idas ao hospital de madrugada e oito pediatras depois, ele parou de responder aos medicamentos. Tive que comprar algumas injeções muito caras (pouco mais de R$ 100 cada - não consegui no governo e nem hospital particular fornecia) e ele começou a melhorar quando teve uma recaída forte com uma conjutivite de brinde. Sem poder ir para escola e sem ter com quem deixá-lo, acabei saindo do trabalho. Com tempo para acompanhá-lo de verdade na pediatra (minha mãe levava sempre), comecei a buscar um que sentisse segurança para cuidar do meu filho. Encontrei a Dra. Valéria, em Santo André, cidade vizinha aqui. Excelente médica, muito atenciosa, o Vini adorou.
Descobrimos que ele tinha rinite, sinusite e uma bronquite herdada da pneumonia. Na última quinta-feira, 29/07 em consulta com a pediatra para mostrar resultados de alguns exames, comentei de "choques" que ele tinha desde muito neném. Quando no colo, sempre antes de dormir, ele dava una "pulinhos", 3 ou 4, e adormecia. Nunca pensei que poderia ser alguma coisa, achava que era alguma maniazinha de dormir. Com o tempo passando, os "pulinhos" foram aumentando e não aconteciam mais só na hora de dormir, poucas vezes durante o dia, brincando. Percebi que ele ficava parado, completamente absorto e não respondia a nenhum estímulo de reflexo. Durava alguns segundos, depois ele "voltava" como se nada tivesse acontecido. De novo, achei que não era nada, que ele podia ser "desligadinho" ou fazer isso pra provocar, de fingir que não está ouvindo quando chamo.
Um dia de Junho, quando já estava com ele em tempo integral, ele estava sentado no meu colo e estávamos brincando, ele ria muito e fazia muita graça. Ele parou absolutamente do nada, fixou o olhar no meu, o sorriso sumiu e começou a fazer movimentos involuntários com os braços. Esse foi um dos ataques que mais me marcou, fiquei muito assustada, porque chamava e ele não respondia, só me olhava. Pra mim durou mais do que os tradicionais 20 segundos, mas acho que foi impressão, pois minha mãe estava junto e disse que foi muito rápido. Quando terminou, ele abriu o sorriso de novo e voltou a brincar de onde tínhamos parado. Depois desse dia comecei a prestar mais atenção e com as férias escolares, ficávamos juntos o dia todo e pude perceber que esses ataques estavam cada dia mais frequentes, acontecendo mais de 4 vezes em um dia.
Após alguns testes com a pediatra, ela encaminhou para um neuro pediatra com uma carta detalhada dos sintomas que eu havia comentado e do "possível" diagnóstico - Epilepsia do tipo Pequeno Mal, passado para mim com 99% de certeza e seguido das palavras "é grave, mãe". Fiquei em choque, pois as palavras "epilepsia", "ataque epilético", "convulsões" assustam de verdade, embora haja informação, tem muita gente que fala muita coisa e logo comecei a imaginá-lo crescendo com isso, tendo ataques epiléticos nas aulas, coleguinhas zombando (quando eu estava no colégio, me lembro vagamente de alguém que precisou ser transferido depois de ter um ataque epilético na aula e virou piada na escola), não conseguindo ter uma vida normal, não sei, mas passou MUITA coisa na minha cabeça na hora e até um pouco depois, até começar a me informar.
Chegamos em casa ele estava dormindo, corri pra internet e buscar informações sobre a epilepsia. Só encontrei alguns artigos, alguns não, muitos. Mas nenhuma página que fosse destinada SÓ ao Pequeno Mal. Não que mereça ou desmereça atenção especial, mas baseado experiência que eu tive, só fiquei (um pouco) mais calma quando me informei melhor e imagino o desespero de pais que não têm acesso a essas informações e nem sempre têm acesso à médicos bons ou que deem informações precisas. Então, tive a ideia do blog para tentar reunir mais alguns pais e ajudá-los.
Não posso deixar de agradecer o apoio dos amigos que foi (é) fundamental para que eu não só desabe a chorar, encare e ajude meu filho a encarar tudo que vier pela frente!
Parabéns por sua iniciativa!
ResponderExcluirImagino tua angústia, sou mãe também e sei como tudo que se refere aos nossos filhos nos absorve por completo.
Espero que daqui prá frente tudo fique bem e que vc e seu pequeno anjo tenham muitos momentos felizes e saudáveis.
Abraço,
Tata Caldeira
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirSa,
ResponderExcluirEu tive epilepsia, com a primeira convulsão grave aos 3 anos. Como comecei o tratamento imediatamente, nunca mais tive crises (tomava Gardenal diariamente) até os 9 anos de idade. Com essa idade tive a segunda forte crise, tendo que mudar o tratamento para o Tegretol. Minhas visitas ao neurologista eram frequentes, Eletroencefalogramas (EEG) eram exames comuns, fiz algumas tomografias também.
Aos 13 anos eu encerrei com sucesso o meu tratamento, retirando a medicação e apenas fazendo o conrtrole com novas consultas e EEGs. Não fiquei com nenhuma sequela negativa da Epilepsia. Apenas a lembrança do que passei e histórias pra contar.
Quis colocar brevemente a minha experiência para "tranquilizar" você, quanto ao caso do seu filho. Se o tratamento adequado for dado e levado a sério, ele possivelmente não terá problemas no futuro. O importante é ter um bom médico e dedicação no tratamento.
Abraço
José Geraldo
Olá, pesquisando sobre epilepsia, encontrei vc...minha filha tem 2 anos e 6 meses e o mesmo tipo de crise do seu filho, também levei um susto com esses espasmos, achava que era emocional, até eles se acentuarem, aí gravei e levei para o neuropediatra. Atualmente ela toma Frisium e ValpaKine, mas os espasmos ainda ocorrem esporadicamente e seu filho como está? Abraço
ResponderExcluirGil
Olá, pesquisando sobre epilepsia, encontrei vc...minha filha tem 2 anos e 6 meses e o mesmo tipo de crise do seu filho, também levei um susto com esses espasmos, achava que era emocional, até eles se acentuarem, aí gravei e levei para o neuropediatra. Atualmente ela toma Frisium e ValpaKine, mas os espasmos ainda ocorrem esporadicamente e seu filho como está? Abraço
ResponderExcluirGil